Imunobiológicos no tratamento de doenças autoimunes e oncológicas

Os imunobiológicos são medicamentos desenvolvidos a partir de organismos vivos ou de seus derivados. Eles têm a capacidade de interagir diretamente com o sistema imunológico, regulando sua resposta para combater inflamações, células defeituosas ou até tumores.

Ao contrário de medicamentos tradicionais, que agem de forma mais ampla, os imunobiológicos atuam de maneira direcionada, o que os torna mais eficazes e, em muitos casos, com menos efeitos colaterais.

Como os imunobiológicos agem em doenças autoimunes

Nas doenças autoimunes, o sistema imunológico perde a capacidade de reconhecer o que pertence ao próprio corpo e passa a atacar tecidos saudáveis, gerando inflamação e danos. Isso acontece em condições como artrite reumatoide, psoríase, lúpus e doença de Crohn.

Os imunobiológicos atuam bloqueando moléculas específicas envolvidas nesse processo de inflamação, como o fator de necrose tumoral (TNF) ou interleucinas. Dessa forma, conseguem reduzir a resposta exagerada do organismo, controlar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Como os imunobiológicos agem em doenças oncológicas

Na oncologia, os imunobiológicos fazem parte da chamada imunoterapia, uma das áreas mais promissoras no tratamento do câncer. Esses medicamentos ajudam o sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais, que muitas vezes conseguem “enganar” as defesas naturais do corpo.

Entre os principais mecanismos estão:

  • Inibidores de checkpoint imunológico: bloqueiam proteínas como PD-1, PD-L1 e CTLA-4, que funcionam como “freios” do sistema imunológico. Ao inibir esses pontos de controle, os linfócitos T voltam a atacar as células cancerígenas.
  • Terapia com células CAR-T: técnica inovadora em que as células T do paciente são modificadas em laboratório para identificar antígenos específicos do tumor e, depois, reinfundidas para destruir as células cancerígenas.

Essas terapias já mostraram resultados importantes em cânceres como melanoma, câncer de pulmão de células não pequenas, carcinoma renal, linfomas e leucemias agressivas.

Leia também: Efeitos adversos dos imunobiológicos: como reconhecer e agir com segurança

Como se cuidar durante o tratamento com imunobiológicos

Os imunobiológicos trazem avanços significativos, mas exigem acompanhamento especializado e alguns cuidados no dia a dia:

  • Atenção à imunidade: como afetam o sistema de defesa, podem aumentar a suscetibilidade a infecções. Por isso, a higiene das mãos e a atualização das vacinas são fundamentais.
  • Acompanhamento médico contínuo: consultas regulares ajudam a monitorar a eficácia do tratamento e possíveis efeitos adversos.
  • Estilo de vida saudável: alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos adequados e controle do estresse ajudam a fortalecer o corpo.
  • Relato de sintomas: qualquer sinal de infecção, febre ou mal-estar deve ser comunicado imediatamente à equipe médica.

Os imunobiológicos representam um grande avanço no tratamento de doenças autoimunes e oncológicas, pois atuam diretamente no sistema imunológico, trazendo resultados mais precisos e eficazes. Quando utilizados com acompanhamento adequado, podem transformar a jornada do paciente e oferecer mais qualidade de vida.

Se você está em tratamento ou deseja saber mais sobre o tema, converse sempre com seu médico e busque informações confiáveis.


Referências

  1. Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). https://www.reumatologia.org.br
  2. Ministério da Saúde – Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas. https://www.gov.br/saude
  3. National Cancer Institute (NCI). Immunotherapy to Treat Cancer. https://www.cancer.gov
  4. European Society for Medical Oncology (ESMO). https://www.esmo.org
  5. American College of Rheumatology (ACR). https://www.rheumatology.org
  6. World Health Organization (WHO). Biological therapies: innovation and impact on global health. https://www.who.int

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