Por Sofia Sampaio, psicóloga da Clínica Pulsus
Fevereiro chega com um ritmo diferente de janeiro. Depois do impulso dos recomeços, este é o mês que nos convida a desacelerar, ajustar a rotina e olhar para o corpo com mais atenção. Para quem convive com doenças autoimunes, essa pausa não é apenas importante. Ela é fundamental para manter equilíbrio físico e emocional.
Condições como lúpus, artrite reumatoide, espondiloartrites e fibromialgia apresentam sintomas que flutuam. Há dias bons e dias desafiadores. A energia varia. A dor muda de intensidade. Por isso, metas rígidas e autocobrança excessiva podem gerar sobrecarga e até piora dos sintomas.
Fevereiro é o momento ideal para perguntar a si mesmo: “O que meu corpo tem tentado me dizer?”
Por que ouvir o corpo faz diferença em quem tem doença autoimune
Viver com uma condição autoimune significa lidar com limites que nem sempre são visíveis, nem para os outros, nem para nós mesmos. Muitas pessoas insistem em manter o mesmo ritmo, mesmo quando sinais de alerta começam a aparecer.
Sintomas como:
- fadiga persistente
- irritabilidade
- dores articulares
- queda de energia
- dificuldade de concentração
…não são simples “desânimo”. São formas do corpo pedir pausa.
Quando escutamos esses sinais, conseguimos:
- ajustar metas e expectativas com mais gentileza
- evitar crises ou flares
- prevenir inflamações e desgaste emocional
- construir uma rotina mais estável e realista
- priorizar bem-estar ao longo do mês
Três perguntas essenciais para o autocuidado neste Fevereiro Roxo
Inclua essas reflexões no seu dia a dia:
1. Tenho respeitado os sinais do meu corpo?
Fadiga, dor e irritação não são fraqueza. São comunicação.
Escutar antes de ultrapassar limites evita recaídas.
2. Minhas metas fazem sentido para o meu momento atual?
Metas gigantes geram frustração.
Metas pequenas e consistentes constroem progresso sustentável.
3. O que posso ajustar para ser mais gentil comigo agora?
Isso pode ser dormir mais cedo, reorganizar a rotina, diminuir tarefas ou pedir ajuda.
Constância também é descanso
Um dos maiores aprendizados no manejo das doenças autoimunes é entender que pausa também faz parte do tratamento.
Constância existe:
- no cuidado diário
- no sono reparador
- na alimentação equilibrada
- na gestão do estresse
- na escuta ativa das emoções
Não é desistir.
É adaptar.
É escolher um ritmo possível, não o ritmo que o mundo exige.
Quando procurar apoio psicológico?
As doenças autoimunes não afetam apenas o corpo. Elas impactam emoções, autoestima, rotina, expectativas e relações. É comum que pacientes relatem:
- ansiedade
- medo do futuro
- frustração com limitações
- tristeza ou sensação de esgotamento
A psicoterapia oferece um espaço seguro para compreender esses sentimentos, construir estratégias de enfrentamento e recuperar o senso de controle sobre a própria vida.
Você não precisa enfrentar tudo sozinho(a).
Cuidar do corpo passa também por cuidar da mente.


